Exposição

Obscenidades para donas de casa – Amélia Brandelli e Cláudia Barbisan

Curadoria: Lilian Maus

Entre os dias 26 de abril e 30 de maio de 2014, aconteceu, no Atelier Subterrânea (Porto Alegre), a exposição Obscenidades para donas de casa, de Amélia Brandelli e Cláudia Barbisan. Parte do projeto Atelier como espaço de conversa, contemplado no Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, a exposição buscou colocar em diálogo as produções das duas artistas gaúchas e criar um espaço de conversa bem-humorada entre obras que lidam com diversos aspectos do universo feminino – da afetividade à obscenidade, do corpo ao erotismo.

Apreciação crítica da curadora Lilian Maus:

Eros ronda a produção artística de Amélia Brandelli e Cláudia Barbisan

A mostra Obscenidades para donas de casa, que ocorre de 26 de abril a 30 de maio de 2014, no Atelier Subterrânea (Av. Independência, 745/Subsolo), integra o projeto Atelier como espaço de conversa, contemplado pelo Prêmio Mulheres nas Artes Visuais, da Funarte em parceria com o Ministério da Cultura e a Secretaria de Políticas para as Mulheres. A proposta curatorial parte do desafio lançado às artistas de refletir sobre o erotismo que atravessa e irrompe o desejo de produzir arte, a partir do olhar sobre objetos que remetessem ao seu universo feminino particular.

O título da exposição é uma livre adaptação do conto Obscenidades para uma dona de casa, de Ignácio de Loyola Brandão, em que a rotina de uma dona de casa é quebrada pela chegada de cartas eróticas de um admirador secreto. Ao final da história, essas cartas revelam-se objetos de um jogo criado por ela própria. Às vezes, é algo estrangeiro e inédito que desperta nosso desejo, outras, são aqueles objetos mais próximos, guardados em lugares da memória para o qual somos arremessados quando menos esperamos. O processo artístico não deixa de ser também um jogo com Eros, que na mitologia grega é um deus com a força de unir, juntar os diferentes, representado também pelo cupido.

Na mostra, o jogo afetivo é o alvo: tanto no recorte das obras, como ao propor um diálogo bem-humorado entre duas artistas que tem um forte elo de amizade. Amélia resgata um objeto da memória que lhe é caro: o tetrápode – ou seria uma mulher de pernas abertas? A imagem lhe remete à infância nos molhes da praia do Cassino, em Rio Grande. Esse objeto de desejo/desenho está materializado nas obras. Cláudia, por sua vez, cria um jogo pictórico no entorno doméstico, dessacralizando os espaços de representação da pintura e do corpo nu. Suas pinceladas engolem com apetite voraz as superfícies de panos de prato, cartas eróticas ou livros de história da arte, num jogo de prazer que funde e transfigura imagens.

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