Sobre A.I.R. Gallery

A.I.R. Gallery, Nova York (EUA):
primeira galeria cooperativa de
mulheres artistas nos Estados Unidos

Fachada atual da AIR Gallery

História

Criada em 1972 por 20 mulheres, a A.I.R. Gallery foi construída com o objetivo de dar visibilidade ao trabalho de artistas que não encontravam espaço dentro do sistema das artes de Nova York. Susan Williams, Barbara Zucker, Dotty Attie, Maude Boltz, Mary Grigoriadis, Nancy Spero se reuniram entraram em contato com Lucy Lippard, que havia realizado um levantamento de portfólios de mulheres artistas em Nova York. Pesquisando neste documento, o grupo selecionou e convidou mais 14 artistas para formar a A.I.R., eram elas: Howardena Pindell, Loretta Dunkelman, Harmony Hammond, Laurace James, Nancy Kitchell, Rachel bas-Cohain, Judith Bernstein (entrevistada), Blythe Bohnan, Agnes Denes, Daria Dorosh (entrevistada), Louise Kramer, Anne Healy, Rosemarie Mayer e Patsy Norvell.

A organização fez parte da primeira leva de galerias estabelecida nos então ociosos lofts do SoHo, em Nova York. Seu primeiro endereço foi o número 97 da Wooster Street. A sigla A.I.R. significa  Artist In Residence, expressão utilizada para revelar os prédios do SoHo que estavam sendo utilizados como residência de artistas. Até então, esta era uma prática ilegal e quando o corpo de bombeiros encontrava um prédio com a sigla AIR, os artistas eram despejados do espaço. Durante as entrevistas realizadas para o projeto Mulheres na Arte Contemporânea, também foram revelados outros entendimentos para a importância do nome: “Air” também estabelece uma relação com Jane Eyre, além de reforçar o aspecto da residência, de ser um espaço onde se estabelecem as artistas, onde elas se encontravam, discutiam e debatiam os desafios do mundo da arte. Com o aumento dos aluguéis dos imóveis em Nova York, a galeria mudou para o endereço 63 na Crosby Street, entre 1981 e 1994. Entre 1994 e 2002 a instituição voltou para a Wooster Street, desta vez no número 40, e entre 2002 e 2008 acompanhou da mudança das galerias de arte para o bairro do Chelsea, onde até hoje está a maioria das galerias comerciais de Nova York. Ao final dos anos 2000, a instituição voltou a mudar de espaço e migrou para o Brooklyn, no endereço 111 Front Street, onde permaneceu entre 2008 e 2015. Desde maio de 2015, a galeria está localizada no número 155 da Plymouth Street, ainda no Brooklyn.

Gestão

A galeria é composta exclusivamente por artistas do sexo feminino e que se entendem como mulheres. Cada membro, de acordo com o tipo de associação com a galeria, paga uma cota e tem direito a expor individualmente no espaço uma vez a cada dois anos. As integrantes também devem participar de dois comitês da instituição, como Comitê de Exposições, Comitê de Imprensa, Comitê de Bolsas, Comitê de atividades Externas, entre outros. Através deste sistema colaborativo e contando também com uma diversidade de fontes financeiras (editais, doações de instituições privadas, etc) agregadas às mensalidades, o espaço consegue, minimamente, se manter independente de obrigações exclusivamente comerciais.

Há quatro níveis/tipos de associação de membros na A.I.R.: Artistas de Nova York, Artistas Adjuntas, Membros Nacionais e Artistas Alumnae. As integrantes do grupo Artistas de Nova York são as que participam efetivamente da gestão da galeria, fazem parte do Quadro de Diretoras e compõem os comitês. O grupo de 22 membros se reúne mensalmente para debater as dinâmicas administrativas do espaço. As artistas também realizam um encontro anual em que votam para os cargos administrativos da organização. Todas têm direito a realizar uma exposição individual na galeria a cada 2 anos. Elas também têm orientações na galeria e podem usar o espaço da instituição para proposição de projetos. As Artistas Adjuntas são ex-membros do grupo Artistas de Nova York e pagam uma cota menor. As Membros Nacionais pagam metade da mensalidade das Artistas de Nova York, porém não realizam exposição individual na galeria. Uma vez por ano, entretanto, as Membros Nacionais participam de uma exposição coletiva com uma curadoria convidada. Já as Artistas Alumnae são aquelas que foram membros da A.I.R. em algum momento e buscam se reconectar com a galeria. As artistas pagam uma cota simbólica e podem se inscrever para a seleção de diferentes programas encabeçados pela instituição, como a Exposição Bienal, The Gallery II Program, Postcard Show, entre outros.

Projetos

O projeto mais importante da A.I.R. é o Fellowship Program. Criado em 1993 por Stephanie Bernheim, o programa é voltado para artistas cujas carreiras estão em início de desenvolvimento. São selecionadas 6 artistas que, durante um ano, recebem orientação com uma mentora e participam de workshops semanais focados na profissionalização da artista, tais como “Falando com a Imprensa”, “Formatação de projetos para financiamento”, etc. Ao final do programa, cada artista tem uma exposição individual na galeria. Este é o projeto mais importante da A.I.R. por ser porta de entrada de muitas artistas emergentes no mundo da arte novaiorquino, já que um dos requisitos para inscrição é que a pessoa ainda não tenha feito nenhuma exposição individual na cidade. Através do programa, as artistas entram em uma comunidade, fazem contato com críticos, curadores, e dali avançam para outras instituições ou na própria A.I.R. Em 2014, por exemplo, 3 das 6 artistas fellowships passaram a integrar a equipe da galeria como membros efetivas. O programa também cria um ambiente de fortalecimento e empoderamento de artistas que estão iniciando a carreira. Além da exposição individual, a fellowship recebe a visita/crítica de uma artista externa à galeria e também se compromete a organizar um projeto aberto à comunidade na galeria, como um seminário, painel de discussão, exibição de vídeos, etc. Assim, o projeto beneficia as artistas nestes diversos aspectos e elas, por sua vez, realizam atividades que beneficiam a atuação da A.I.R. com a comunidade.

A.I.R. também possui outras iniciativas além do Fellowship Program, tais como: Programa de estágios para estudantes e mulheres que estão iniciando a carreira no circuito cultural; 501c3 Sponsored Projects, ou seja, projetos que queiram arrecadar fundos através de patrocínio fiscal podem fazê-lo através da A.I.R., que está estabelecida como uma organização sem fins lucrativos; Postcard Show e exposições bienais, que são abertas para a participação da comunidade artística mediante inscrição e seleção feita por curadores convidados; Studio Visit Lottery, programa que garante a visita de galeristas, curadores e críticos aos estúdios dos artistas selecionados. Através destes programas, a A.I.R. se mantém aberta à comunidade ao incluir em seus projetos artistas que não necessariamente são membros e também arrecada fundos para sua manutenção através de pagamentos de inscrições e participações.

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